O que seria "dublagem brasileira" hoje em dia?

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Com tantas mudanças que tivemos no mercado, comecei a me questionar: o que da pra considerar como dublagem brasileira hoje?

Durante muito tempo a resposta parecia simples: dublagem brasileira era basicamente o que era produzido no eixo RJ-SP. Às vezes aparecia alguma coisa feita em Miami, normalmente recebida com repulsa pelo público, seja pela interpretação, adaptação ou direção diferente do padrão que o brasileiro estava acostumado. Em momento algum essas dublagens eram consideras brasileiras, levando sempre o estigma ruim de "dublagem de Miami".

Só que anos depois o mercado mudou muito. Campinas entrou forte na área, outros polos começaram a surgir pelo Brasil. Polos estes, que no início, eram confundidos com Miami, por fugirem do padrão RJ-SP, mesmo sendo dublagens feitas em solo brasileiro.

E com a pandemia, a dublagem remota chegou praticamente quebrando a necessidade de todo mundo estar no mesmo estúdio físico. Hoje dá tranquilamente pra ter direção em São Paulo, ator gravando em outro estado, produção em Miami ou Argentina.

Então fica a dúvida: o que faz uma dublagem ser brasileira de fato?

É o local onde o estúdio fica?
É ter profissionais brasileiros envolvidos?
É o sotaque?
É a adaptação cultural?

Porque atualmente existem estúdios fora do Brasil produzindo dublagens em português brasileiro com elenco brasileiro. Ao mesmo tempo, existem emissoras de Angola dublando novelas no Brasil em sotaque neutro para exibição lá. Também existem estúdios em Portugal fazendo versões em “português brasileiro”, às vezes até tentando reproduzir o jeito brasileiro de falar.

Isso ainda seria dublagem brasileira? Ou seria apenas uma dublagem em português brasileiro?

A impressão que dá é que a ideia de “dublagem brasileira” deixou de ser algo puramente geográfico. Talvez hoje ela esteja mais ligada à identidade cultural e artística do que ao lugar físico onde foi gravada.
(Este post foi modificado pela última vez em: 22-05-2026, 20:20 por Thiago..)
Pra mim não tem muito mistério - é feita para um público que fala o português brasileiro? Então pra mim é dublagem brasileira.

Mas eu acho interessante esse ponto que você tocou de ser algo ligado à identidade cultural e artística brasileira, e eu acredito que sempre tenha sido assim, vide "versão brasileira" e tudo que os dubladores sempre falam sobre como a dublagem brasileira é única e especial, especialmente na parte da adaptação.
True love will find you in the end.
Excelente tópico, mesmo. Essa discussão faz muito sentido no momento atual.

Respondendo sua pergunta, acho que o próprio conceito de "dublagem brasileira" hoje é mais cultural do que geográfico, tem mais a ver com uma escola de atuação do que necessariamente com procedência regional. Uma dublagem produzida por um estúdio de Buenos Aires, mas com elenco 100% brasileiro gravando remoto daqui por exemplo, gostem ou não, é brasileira.

Se pegar o caso da TransPerfect, no qual a diretora (que é brasileira) mora em Buenos Aires (sede original do estúdio), mas a empresa criou um CNPJ brasileiro e uma filial em Ribeirão Preto, e as gravações são quase todas feitas aqui e 100% com atores com DRT, então, não deixa de ser uma dublagem brasileira também.

Eu não estou discutindo qualidade, é óbvio que estúdios 100% localizados aqui tendem a ser melhores mesmo, mas, não dá para dizer que esses trabalhos sejam "ilegais" ou qualquer outra coisa do tipo.

Uma dublagem de Belo Horizonte dos anos 2000 e 2010 por exemplo, a qualidade era uma atrocidade, mas não dava para dizer que não fosse uma dublagem brasileira. Infelizmente, pessoal confundia com Miami e dizia ser de lá só por não ter vozes conhecidas do eixo.
Pra Mim Dublagem Brasileira é Só no Rio e em Sampa, o Resto... É Resto.
Um tópico muito interessante.
Obviamente a resposta é "made in Brazil", mas se analisar, definitivamente deixa de ser só "made in Brazil".
Eu não sou entendedor das dublagens gravadas fora do Brasil, mas a resposta é até simples: em todo o mundo ou comunidade de linguas estrangeiras terá um brasileiro, isso é algo que não se vê muito em outros paises, logo essa vertente um dia existiria.

Campinas é um sub-polo, por que é dentro de São Paulo e usa muito dos mesmos dubladores, a questão maior é que dublagem grande era só RJ-SP por serem os estados mais economicamente desenvolvidos, obviamente com maior concentração de produção, a própria Globo grava as novelas em estudios do Rio.
Se não estou enganado, dos outros 4 polos, 2 são fora do sudeste (Curitiba e Brasília), os outros sendo, obviamente Minas Gerais e Belo Horizonte. Mas Campinas ganhou fama muito rapidamente, MG e BH nunca ganharam tanta fama para o público geral por dublarem produtos menores. Miami é Miami.

Sobre as dublagens de Portugal, elas são dublagens portuguesas pro público daqui ou de algum país que goste do sotaque. Tá na semântica, dublagem brasileira, dublagem EM português brasileiro. Eu mesmo não chamaria dublagens de Miami como dublagens brasileiras, e sim dublagens para brasileiros, é um produto com um público e um objetivo.

Adaptação é... nada. Isso é da parte de tradução, um extra, não é necessário, mas tornam necessário e dão muita enfase nisso, já que o público adora um estrangeiro fazendo piadas com a nossa cultura (por algum motivo).

Sobre sotaque, a maioria das dublagens tenta trazer um sotaque neutro, o máximo é o óbvio sotaque do nordeste em caipiras, dificilmente usam sotaques sulitas, nortistas ou sudestinos. Só lembro do Briggs falando do André Filho, que a direção queria que ele parasse de puxar o "xis" carioca. "Andrézinho, atênua o sotaque", "Vaix se *****, o importante é a interpretação".
Nossa mas esse lugar parece o fim do mundo, olha, Finlândia
(Este post foi modificado pela última vez em: 22-05-2026, 21:17 por Dalygord.)
(22-05-2026, 21:15 )Dalygord Escreveu: Um tópico muito interessante.
Obviamente a resposta é "made in Brazil", mas se analisar, definitivamente deixa de ser só "made in Brazil".
Eu não sou entendedor das dublagens gravadas fora do Brasil, mas a resposta é até simples: em todo o mundo ou comunidade de linguas estrangeiras terá um brasileiro, isso é algo que não se vê muito em outros paises, logo essa vertente um dia existiria.

Campinas é um sub-polo, por que é dentro de São Paulo e usa muito dos mesmos dubladores, a questão maior é que dublagem grande era só RJ-SP por serem os estados mais economicamente desenvolvidos, obviamente com maior concentração de produção, a própria Globo grava as novelas em estudios do Rio.
Se não estou enganado, dos outros 4 polos, 2 são fora do sudeste (Curitiba e Brasília), os outros sendo, obviamente Minas Gerais e Belo Horizonte. Mas Campinas ganhou fama muito rapidamente, MG e BH nunca ganharam tanta fama para o público geral por dublarem produtos menores. Miami é Miami.

Sobre as dublagens de Portugal, elas são dublagens portuguesas pro público daqui ou de algum país que goste do sotaque. Tá na semântica, dublagem brasileira, dublagem EM português brasileiro. Eu mesmo não chamaria dublagens de Miami como dublagens brasileiras, e sim dublagens para brasileiros, é um produto com um público e um objetivo.

Adaptação é... nada. Isso é da parte de tradução, um extra, não é necessário, mas tornam necessário e dão muita enfase nisso, já que o público adora um estrangeiro fazendo piadas com a nossa cultura (por algum motivo).

Sobre sotaque, a maioria das dublagens tenta trazer um sotaque neutro, o máximo é o óbvio sotaque do nordeste em caipiras, dificilmente usam sotaques sulitas, nortistas ou sudestinos. Só lembro do Briggs falando do André Filho, que a direção queria que ele parasse de puxar o "xis" carioca. "Andrézinho, atênua o sotaque", "Vaix se *****, o importante é a interpretação".

Nas dublagens de Miami, até as de antigamente, o elenco era quase maioritariamente composto por brasileiros que viviam/vivem lá. South Park e Doctor Who tiveram algumas referências ao Brasil na adaptação dos textos.

Então seriam dublagens brasileiras? Pela nacionalidade do elenco? Pela direção das adaptações?

Essa ambiguidade que deixa o assunto tão confuso, mas também interessante.

Na verdade, o que me aflorou para esse assunto foi acompanhar a Dublagem Wiki, lá aceitam dublagens de vários países. Um dia peguei me questionando: é Wiki de dublagem brasileira, mas tem dublagem feita em Portugal, Miami, Los Angeles, Argentina...

Sobre sotaque... tenho uma opinião meio polêmica: não acredito que o tal "sotaque neutro" RJ-SP exista de verdade, a questão é que o público foi tão acostumado com produções dubladas nesses dois locais que entrou no ship do brasileiro racionalizar esses sotaques como os "padrões" da dublagem.
(22-05-2026, 22:01 )Thiago. Escreveu:
(22-05-2026, 21:15 )Dalygord Escreveu: Um tópico muito interessante.
Obviamente a resposta é "made in Brazil", mas se analisar, definitivamente deixa de ser só "made in Brazil".
Eu não sou entendedor das dublagens gravadas fora do Brasil, mas a resposta é até simples: em todo o mundo ou comunidade de linguas estrangeiras terá um brasileiro, isso é algo que não se vê muito em outros paises, logo essa vertente um dia existiria.

Campinas é um sub-polo, por que é dentro de São Paulo e usa muito dos mesmos dubladores, a questão maior é que dublagem grande era só RJ-SP por serem os estados mais economicamente desenvolvidos, obviamente com maior concentração de produção, a própria Globo grava as novelas em estudios do Rio.
Se não estou enganado, dos outros 4 polos, 2 são fora do sudeste (Curitiba e Brasília), os outros sendo, obviamente Minas Gerais e Belo Horizonte. Mas Campinas ganhou fama muito rapidamente, MG e BH nunca ganharam tanta fama para o público geral por dublarem produtos menores. Miami é Miami.

Sobre as dublagens de Portugal, elas são dublagens portuguesas pro público daqui ou de algum país que goste do sotaque. Tá na semântica, dublagem brasileira, dublagem EM português brasileiro. Eu mesmo não chamaria dublagens de Miami como dublagens brasileiras, e sim dublagens para brasileiros, é um produto com um público e um objetivo.

Adaptação é... nada. Isso é da parte de tradução, um extra, não é necessário, mas tornam necessário e dão muita enfase nisso, já que o público adora um estrangeiro fazendo piadas com a nossa cultura (por algum motivo).

Sobre sotaque, a maioria das dublagens tenta trazer um sotaque neutro, o máximo é o óbvio sotaque do nordeste em caipiras, dificilmente usam sotaques sulitas, nortistas ou sudestinos. Só lembro do Briggs falando do André Filho, que a direção queria que ele parasse de puxar o "xis" carioca. "Andrézinho, atênua o sotaque", "Vaix se *****, o importante é a interpretação".

Nas dublagens de Miami, até as de antigamente, o elenco era quase maioritariamente composto por brasileiros que viviam/vivem lá. South Park e Doctor Who tiveram algumas referências ao Brasil na adaptação dos textos.

Então seriam dublagens brasileiras? Pela nacionalidade do elenco? Pela direção das adaptações?

Essa ambiguidade que deixa o assunto tão confuso, mas também interessante.

Na verdade, o que me aflorou para esse assunto foi acompanhar a Dublagem Wiki, lá aceitam dublagens de vários países. Um dia peguei me questionando: é Wiki de dublagem brasileira, mas tem dublagem feita em Portugal, Miami, Los Angeles, Argentina...

Sobre sotaque... tenho uma opinião meio polêmica: não acredito que o tal "sotaque neutro" RJ-SP exista de verdade, a questão é que o público foi tão acostumado com produções dubladas nesses dois locais que entrou no ship do brasileiro racionalizar esses sotaques como os "padrões" da dublagem.
Eu particularmente não me importo de definir como "dublagem em português brasileiro" e tudo o mais. Mesmo que eu veja sentido em difirenciar "dublagem pro Brasil" e "Du Brasil" (piada ruim, mas intencional) não vejo como algo muito importante, então vai depender de como a pessoa enxerga.

Eu vou concordar e muito. A maior parte do audiovisual é desse eixo, o que puxa no linguajar e sotaque.
O que eu sei de "sotaque" em sua maioria não é "sotaque", é um vocabulário e expressões de diferentes estados, algumas iguais. Eu sou carioca e só vim a sair do Rio uma vez, e eu achava que o vocabulário daqui (coisas como, invés de terminar a palavra com o R, eles puxam acento, mais ou menos assim: invés de Mar, se fala "Má", ou "Menó" invés de "Menor"), e eu só descobri que não era algo exclusivo daqui quando conversei com uma pessoa do Rio Grande do Sul justamente sobre o vocabulário e essas manias linguísticas. Mas nesse caso eu não via como padrão, achava que era algo exclusivo daqui.

E é, é verdade, não tem o que tirar nem por. A dublagem é o maior contato que a pessoa teria com o sotaque ou vocabulário de algum lugar, mesmo que muitas vezes a pessoa não seja de lá. O José Santa Cruz é paraibano, Francisco Júnior é cearense, ainda tem casos como o Rodrigo Relva (ucraniano naturalizado no Brasil). Mas eles seguem o padrão que o público acostumou
Nossa mas esse lugar parece o fim do mundo, olha, Finlândia
(Este post foi modificado pela última vez em: 22-05-2026, 22:19 por Dalygord.)
(22-05-2026, 21:15 )Dalygord Escreveu: Campinas é um sub-polo, por que é dentro de São Paulo e usa muito dos mesmos dubladores, a questão maior é que dublagem grande era só RJ-SP por serem os estados mais economicamente desenvolvidos, obviamente com maior concentração de produção, a própria Globo grava as novelas em estudios do Rio.
Se não estou enganado, dos outros 4 polos, 2 são fora do sudeste (Curitiba e Brasília), os outros sendo, obviamente Minas Gerais e Belo Horizonte. Mas Campinas ganhou fama muito rapidamente, MG e BH nunca ganharam tanta fama para o público geral por dublarem produtos menores. Miami é Miami.

Belo Horizonte fica dentro de Minas Gerais. Acho que você esqueceu POA aí, que também fica fora do sudeste. Isso também sem contar estúdios na Paraíba, Pará e Pernambuco. Embora, os estúdios dessas regiões operem full remoto com dubladores de outros lugares do Brasil, ao invés de usarem nomes locais, com exceções dos donos dos mesmos estúdios e pessoas associadas.
O português brasileiro devia se chamar só brasileiro, e provavelmente vai em algum ponto futuro do curso da história, falar "português" antes de "brasileiro" não adiciona NADA de importante, além do memorando de quem veio aqui e colonizou nosso povo.
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(22-05-2026, 22:24 )SuperBomber3000 Escreveu:
(22-05-2026, 21:15 )Dalygord Escreveu: Campinas é um sub-polo, por que é dentro de São Paulo e usa muito dos mesmos dubladores, a questão maior é que dublagem grande era só RJ-SP por serem os estados mais economicamente desenvolvidos, obviamente com maior concentração de produção, a própria Globo grava as novelas em estudios do Rio.
Se não estou enganado, dos outros 4 polos, 2 são fora do sudeste (Curitiba e Brasília), os outros sendo, obviamente Minas Gerais e Belo Horizonte. Mas Campinas ganhou fama muito rapidamente, MG e BH nunca ganharam tanta fama para o público geral por dublarem produtos menores. Miami é Miami.

Belo Horizonte fica dentro de Minas Gerais. Acho que você esqueceu POA aí, que também fica fora do sudeste. Isso também sem contar estúdios na Paraíba, Pará e Pernambuco. Embora, os estúdios dessas regiões operem full remoto com dubladores de outros lugares do Brasil, ao invés de usarem nomes locais, com exceções dos donos dos mesmos estúdios e pessoas associadas.
Espera, é verdade, eu confundi Belo Horizonte com Espirito Santo, e Porto Alegre eu não lembrava de nome mas por algum motivo eu jurava que era o hipotético estado de BH. Eu particularmente não considero esses estúdios como a Red Dragon, por que você já explicou, não é um núcleo de gente do estado, igual o tradicional quando de fala de núcleo/eixo.
Nossa mas esse lugar parece o fim do mundo, olha, Finlândia
(Este post foi modificado pela última vez em: 22-05-2026, 22:35 por Dalygord.)



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