(22-05-2026, 22:01 )Thiago. Escreveu:Eu particularmente não me importo de definir como "dublagem em português brasileiro" e tudo o mais. Mesmo que eu veja sentido em difirenciar "dublagem pro Brasil" e "Du Brasil" (piada ruim, mas intencional) não vejo como algo muito importante, então vai depender de como a pessoa enxerga.(22-05-2026, 21:15 )Dalygord Escreveu: Um tópico muito interessante.
Obviamente a resposta é "made in Brazil", mas se analisar, definitivamente deixa de ser só "made in Brazil".
Eu não sou entendedor das dublagens gravadas fora do Brasil, mas a resposta é até simples: em todo o mundo ou comunidade de linguas estrangeiras terá um brasileiro, isso é algo que não se vê muito em outros paises, logo essa vertente um dia existiria.
Campinas é um sub-polo, por que é dentro de São Paulo e usa muito dos mesmos dubladores, a questão maior é que dublagem grande era só RJ-SP por serem os estados mais economicamente desenvolvidos, obviamente com maior concentração de produção, a própria Globo grava as novelas em estudios do Rio.
Se não estou enganado, dos outros 4 polos, 2 são fora do sudeste (Curitiba e Brasília), os outros sendo, obviamente Minas Gerais e Belo Horizonte. Mas Campinas ganhou fama muito rapidamente, MG e BH nunca ganharam tanta fama para o público geral por dublarem produtos menores. Miami é Miami.
Sobre as dublagens de Portugal, elas são dublagens portuguesas pro público daqui ou de algum país que goste do sotaque. Tá na semântica, dublagem brasileira, dublagem EM português brasileiro. Eu mesmo não chamaria dublagens de Miami como dublagens brasileiras, e sim dublagens para brasileiros, é um produto com um público e um objetivo.
Adaptação é... nada. Isso é da parte de tradução, um extra, não é necessário, mas tornam necessário e dão muita enfase nisso, já que o público adora um estrangeiro fazendo piadas com a nossa cultura (por algum motivo).
Sobre sotaque, a maioria das dublagens tenta trazer um sotaque neutro, o máximo é o óbvio sotaque do nordeste em caipiras, dificilmente usam sotaques sulitas, nortistas ou sudestinos. Só lembro do Briggs falando do André Filho, que a direção queria que ele parasse de puxar o "xis" carioca. "Andrézinho, atênua o sotaque", "Vaix se *****, o importante é a interpretação".
Nas dublagens de Miami, até as de antigamente, o elenco era quase maioritariamente composto por brasileiros que viviam/vivem lá. South Park e Doctor Who tiveram algumas referências ao Brasil na adaptação dos textos.
Então seriam dublagens brasileiras? Pela nacionalidade do elenco? Pela direção das adaptações?
Essa ambiguidade que deixa o assunto tão confuso, mas também interessante.
Na verdade, o que me aflorou para esse assunto foi acompanhar a Dublagem Wiki, lá aceitam dublagens de vários países. Um dia peguei me questionando: é Wiki de dublagem brasileira, mas tem dublagem feita em Portugal, Miami, Los Angeles, Argentina...
Sobre sotaque... tenho uma opinião meio polêmica: não acredito que o tal "sotaque neutro" RJ-SP exista de verdade, a questão é que o público foi tão acostumado com produções dubladas nesses dois locais que entrou no ship do brasileiro racionalizar esses sotaques como os "padrões" da dublagem.
Eu vou concordar e muito. A maior parte do audiovisual é desse eixo, o que puxa no linguajar e sotaque.
O que eu sei de "sotaque" em sua maioria não é "sotaque", é um vocabulário e expressões de diferentes estados, algumas iguais. Eu sou carioca e só vim a sair do Rio uma vez, e eu achava que o vocabulário daqui (coisas como, invés de terminar a palavra com o R, eles puxam acento, mais ou menos assim: invés de Mar, se fala "Má", ou "Menó" invés de "Menor"), e eu só descobri que não era algo exclusivo daqui quando conversei com uma pessoa do Rio Grande do Sul justamente sobre o vocabulário e essas manias linguísticas. Mas nesse caso eu não via como padrão, achava que era algo exclusivo daqui.
E é, é verdade, não tem o que tirar nem por. A dublagem é o maior contato que a pessoa teria com o sotaque ou vocabulário de algum lugar, mesmo que muitas vezes a pessoa não seja de lá. O José Santa Cruz é paraibano, Francisco Júnior é cearense, ainda tem casos como o Rodrigo Relva (ucraniano naturalizado no Brasil). Mas eles seguem o padrão que o público acostumou
Nossa mas esse lugar parece o fim do mundo, olha, Finlândia
(Este post foi modificado pela última vez em: 22-05-2026, 22:19 por Dalygord.)
