Neo Hartless Escreveu:Lembra quando o Daniel fez um post super bairrista sobre como a Silvia Goiabeira ter mudado de estado era o começo de uma debandamento em massa dos dubladores pra São Paulo, e depois o Mauro Castro veio aqui, deu uma bronca nele, falou que não tinha nada a ver, e o Daniel fechou o tópico?
Sei que é coincidência, mas me lembrou isso.
A meu ver essa coincidência começa a deixar (ou já deixou faz tempo) de ser mero fruto do acaso, primeiro pelo fato de já estar acontecendo há um bom tempo, segundo pelo peso dos nomes, o Mauro Ramos sempre foi um dos dubladores mais ativos da dublagem carioca desde quando iniciou no fim dos anos 80 ou início dos 90. Parece haver sim um determinado padrão 'migratório' nessas mudanças do pessoal do Rio pra Sampa.
O fato é que esse tipo de coisa não é fato novo na dublagem. Parece estar havendo algo que sempre houve, o deslocamento do pessoal pro centro onde há mais trabalho. Isso aconteceu nos anos 60, o pessoal saía do Rio de Janeiro pra trabalhar em São Paulo, a partir dos anos 70, foi o inverso, culminando nos anos 80, dos anos 90 em diante parece ter havido um certo equilíbrio nas coisas, até que chegamos à situação atual.
É fato também que a dublagem carioca ao longo dos anos foi perdendo espaço no mercado pra dublagem paulista desde o fim dos anos 80. O mercado de home video dos anos 90 em diante passou a ser dominado pelos paulistas. Com o passar do tempo até na Globo a dublagem carioca deixou de ser praticamente onipresente, como foi na maior parte da existência da empresa, para deixar espaço pra dublagem paulista, um espaço que foi gradativamente conquistado e que hoje é considerável, talvez esteja até mais presente na programação do que a dublagem carioca. Não é raro assistir por lá um filme com o Antônio Moreno no Morgan Freeman, ou o Tiraboschi no Liam Neeson, por exemplo.
Esse pessoal todo que foi embora pode até ficar na ponte aérea, mas não é a mesma coisa. Grandes profissionais ainda estão no Rio também, isso não podemos de forma nenhuma deixar de ver. Mas por exemplo, em atividade hoje, dentro da sua faixa etária, e com o tipo de voz que tem, eu não conheço ninguém que seja melhor que o Leonardo José, tem outros dubladores de muita qualidade, algumas com timbres até relativamente próximos, mas não do mesmo tipo, aquele grave super acentuado e rouco ao mesmo tempo. Quer dizer, isso parece um mero detalhe, mas faz diferença sim na qualidade dos produtos dublados. E se somadas às peculiaridades dos outros profissionais que também fizeram o mesmo, teremos algo significativo.
Não foi com a Silvia que tudo isso começou, muita gente também foi, Felipe Grinnan, Hamilton Ricardo, antes deles Hermes Baroli (que começou em Sampa né) e Nestor Chiesse, e agora, Seidl, Mauro Ramos, Leonardo José, o Ettore, e outro nomes.
Por isso tudo acho que não podemos falar mais em coincidência.