(20-05-2026, 14:52 )Dalygord Escreveu: Isso do Vicio Nerd me lembra ele descendo a tora nas dublagens de Miami e Campinas, eu só imagino o que ele pensa de hoje em dia em detalhes, isso que ainda teve coisa pior.
Na época eu só tive contato com a dublagem de Beyblade Burst (que é ótima) então fica difícil opinar muito, mas eu queria perguntar, quais foram as produções que iniciaram essa onda? E tirando o "pagar um valor menor" (segundo fontes) por que até hoje tem certo alarde de dubladores com Campinas?
Pessoalmente, eu não acho a dublagem de Beyblade Burst ótima, bem longe disso para ser sincero. Tem coisas boas nela como têm também coisas ruins, muita criança com voz de adulto, muito adulto forçando voz para parecer mais infantil (o Mário Spatziani chegou a dublar um molequinho, pelo amor de Deus... a bizarrice é autoexplicativa). A dublagem da franquia Burst melhorou consideravelmente quando o Cadu Ramos e o João Vieira assumiram a direção no lugar do Renan Alonso em Beyblade Burst: Surge, e começaram a escalar mulheres e crianças reais nos personagens mirins ao invés de adultos forçando agudo, basta ver a Beta Cinalli e a Bruna Munhoz nos protagonistas dos anos finais e comparar com uns molequinhos secundários dos primeiros anos, a diferença é nítida.
E as produções que iniciaram essa "onda" foram as que Netflix e outros clientes (a própria Turner com Rick & Morty) lançaram entre 2016 e 2018. Campinas já existe na dublagem nacional desde pelo menos 2010, mas até idos de 2015, eles só faziam realities para Fox Life, Lifetime e outros canais, redublagens obscuras de filmes para DVD e TV a cabo, e coisas pequenas que em geral passavam despercebidas do público, não eram ruins como as dublagens de Miami antigas, mas eram dublagens bem "meh" e quando fãs de dublagem mesmo batiam o olho, falavam "ah, Campinas" e torciam o nariz sem reclamar muito, foram uns 5-6 anos assim, até que veio Rick & Morty e outros projetos de Netflix, SDI Media e Turner/Warner, já no final de 2015 em diante.
A dublagem de Rick & Morty foi o projeto que trouxe visibilidade real para a região, foi o que fez aquelas vozes se tornarem mais conhecidas, eu mesmo comentei aqui no Dublanet em 2016 quando eu assisti pela primeira vez sobre o quão maravilhado e surpreso eu havia ficado, que esperava algo muito pior e que fiquei bastante feliz em ver o resultado daquele trabalho. O problema é que a Dubbing Company começou a pegar muita coisa, muito mais do que tinham preparo para fazer de fato com qualidade, com o Renan Alonso sozinho chegando a dirigir 25 projetos ao mesmo tempo, e aí é óbvio que a qualidade não seria a mesma de Rick & Morty. Netflix mandando um monte de coisas para lá, aí veio também a Crunchyroll (por cortesia da SDI Media) e aí não teve como. Some isso à animosidade gerada pelas hostilidades entre dubladores, e temos a tempestade perfeita.
Além disso, a UP Voice também foi alvo de críticas no mesmo período. Apesar de não mencionarem nominalmente, naqueles áudios do Dossiê do Márcio Seixas, eu lembro de um áudio em que ele citou um "filho da puta de Campinas" (palavras dele) que estaria pagando abaixo do piso, e também o criticando por usar um teleprompter com legendas pros dubladores lerem as falas, ao invés do papel e caneta pros dubladores poderem transcrever e marcar suas pausas durante as escalas. E isso (de usar teleprompter/monitor com legendas ao invés de papel e caneta) claramente era uma referência à UP, por uma matéria que foi feita no estúdio anos antes mostrando gravações lá. Aí uma coisa juntou com a outra e virou uma bola de neve.
E nesse caso do monitor com legendas, também se mostrou uma reclamação inócua já que com a pandemia anos depois, os demais estúdios do eixo passariam a fazer uso da mesma tecnologia ou algo próximo disso, então também é uma crítica que também não adiantou nada e não teve utilidade real.
Outra dublagem em específico que eu acho que botou lenha nessa fogueira (e essa eu confesso que não gosto, é uma das que teve "gosto de fast food", para mim), foi a das duas primeiras temporadas de La Casa de Papel. Acho um trabalho fraco, não por demérito dos atores envolvidos, mas pelo período em que foi feito (deve ter sido uma das 25 produções que o Renan dirigiu sozinho ao mesmo tempo) e a pressa que com certeza aconteceu pra entregar rápido pra Netflix, mas ele fez sucesso porque a série em si virou um fenômeno pop de massa no país, e a sua dublagem junto. Depois de Rick & Morty, acho que foi o trabalho mais visto/assistido feito na região.
E que fique claro de novo: eu acho que a DC errou em pegar muito mais trabalhos do que podia fazer com qualidade, penso que foi objetivamente bom os clientes terem saído um pouco de lá por um período (vide a Crunchyroll, do contrário teríamos tido Mob Psycho 100, Re:Zero, Tanya The Evil e diversos outros títulos feitos na Dubbing Company com os mesmos elencos um atrás do outro, e isso teria sido ruim), mas o meu ponto aqui é sobre as consequências de tudo isso pra um futuro de mais longo prazo, e não somente ali no recorte de 2018-2019.
Sei que falei demais nesses dois últimos comentários, mas acho que expus o meu ponto por completo. E ignorem o Danilo Powers abaixo.
