RiddleTC Escreveu:Não vejo "estrago" nenhum, são termos consolidados na fandom há anos, e a dublagem não tem que alienar quem já era fã antes do negócio ser dublado. Já passou a época de sanitizar anime pra parecer menos japonês, o publico não é idiota pra não saber de onde One Piece veio.
Acho que foi só por coincidência que "Yonkou" só veio como "Quatro Imperadores" em Dressrosa. Imagino que a ideia é todos os termos serem intercalados, igual são os Shichibukais: Ora chamam de Shichibukai, ora chamam de lordes do mar, ora de corsários. Deve depender da labial caso a caso.
Sobre "Ruffy", não existe o que discutir. Americano não leva bronca por chamar o Zoro de Zolo, mas não ousam tocar mais no L do Luffy. O Oda consistentemente escreve o nome do protagonista com L sempre que nomes romanizados são necessários (como nos posters de procurado). "Ruffy" só vive ainda porque ocidental não é familiar com romanização de kana.
Mas, se for pra falar de confusões causadas pela ausência da letra L nos sistemas fonéticos japonêses, eu tou curioso pra ver o que a dublagem vai fazer quando Alabasta e a Vivi voltarem a ser relevantes pra história, agora que a gente sabe que o nome certo é Arabasta.
A questão não é "sanitizar", a questão é que isso é uma dublagem, não uma legenda falada. Os golpes em One Piece possuem apelo visual e a intenção do Eiichiro Oda ao nomear um ataque como "Gomu Gomu no Muchi" quando o Luffy estica a perna imitando um chicote, sendo que "muchi" é "chicote" em japonês, literalmente, não é soar cool para otakus estrangeiros. A experiência do brasileiro médio deveria ser pelo menos próxima da do japonês médio que assiste, só que o japonês sabe o que é "muchi", enquanto o brasileiro não. O japonês também sabe o que é "akuma no mi", mas o brasileiro não.
Se os ataques em One Piece ainda fossem somente raios de luz genéricos ou áureas de poder como o Kamehameha e o Kaioken em Dragon Ball, OK. Mas não são. One Piece é muito mais cartunesco, lúdico, e visual. Eu nem reclamo por si só tanto de "akuma no mi" ou "kairouseki", ou o próprio "yonkou", mas os ataques do Luffy mesmo são coisas que à exceção dos termos em inglês, como Rocket, Pistol e Red Roc, só funcionam traduzidas. Manter coisas como "gomu gomu no ozuchi/tsuchi/kama/ami/amidori/kane/fusen/ono" em uma dublagem, foi uma decisão errônea desde o princípio. O otaku brasileiro pode achar "maneiro", "cool" escutar "gomu gomu no fusen" quando o Luffy, do jeito mais ridículo e caricato possível se infla igual a um balão gigante, mas é fato que usar "gomu gomu balão" nessa situação era infinitamente mais funcional, e o padrão se repete nos demais golpes que são em japonês.
É uma discussão velha, a redublagem de One Piece tem mais de meia década hoje, mas é fato que aconteceu sim um estrago, que piora quando a gente lembra de palavrões e gírias desnecessárias. Cenas cômicas do Luffy inclusive se perderam na dublagem, ou tiveram que ter alguma adaptação inconsistente de ocasião pra manter o significado, como numa cena em que ele diz "gomu gomu no hélice" no arco do Foxy - o que não fez sentido nem semântico, considerando o significado da partícula "no" no idioma japonês. Então aconteceu um gigantesco estrago sim, nenhuma dublagem de One Piece no mundo além da redublagem brasileira fez essa manutenção excessiva, exaustiva e puritanesca de terminologias em japonês.
A experiência do japonês escutando japonês, que é a língua nativa dele, não é a experiência que o brasileiro vai ter ao escutar japonês. O fã fervoroso que assistia fansubs ilegais em 2008 com erros de português pode ficar repetindo abobalhadamente "gomu gomu no ono" dentro dos seus círculos de amizade, mas uma dublagem não deveria levar isso em conta, até porque One Piece já possuía uma terminologia de dublagem (que não pode ser igual a de uma legenda) antes da redublagem acontecer, que não foi nem considerada. Só que esse estrago impossivelmente vai ser revertido algum dia, e tenho ciência disso.
Outra coisa: os americanos só chamaram o Zoro de "Zolo" na época da 4Kids. Quando a Funimation redublou, passou a ser "Zoro", e eles nunca tocaram no "L" do Luffy. Quem adaptou como "Ruffy" foi a Conrad, aqui no Brasil, e a dublagem da DPN seguiu o que foi feito no mangá. Mas bom que tocou no tema de Alabasta (que provavelmente vai continuar com L).